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Homenagens em letra e música: conheça canções que são reverências a Pelé

Homenagens em letra e música: conheça canções que são reverências a Pelé

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A sucessão de homenagens a Pelé chegou também ao campo da música. Morto na última quinta-feira (29), aos 82 anos, devido à falência de múltiplos órgãos após a progressão de um câncer no cólon, o “Rei do Futebol” inspirou canções de artistas de diversas áreas e ficou marcado no repertório brasileiro.

+Títulos, gols, cinema, música e mais: a vida e a obra de Pelé, o Rei do Futebol

O LANCE! resgata alguns destes momentos musicais feitos para camisa 10, que também deixou em sua vida umlegado como cantor e compositor.

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  • REI PELÉ (1961)

    Flamenguista de coração e autor de pérolas como o “Samba Rubro-Negro”, “E O Juiz Apitou”, “No Boteco do José” e “Acertei No Milhar”, Wilson Batista fez uma triangulação luxuosíssima para homenagear o “Rei do Futebol”. Ao lado de Jorge de Castro e Luiz Wanderley, ele escreveu em 1961 “Rei Pelé”.

    + Pelé eternizado: lembre momentos do ‘Rei’ cantor e compositor

    O “cha-cha-cha” foi interpretado por Luiz Wanderley (que entrou para a história também por ser parceiro de João do Vale em “Coroné Antônio Bento”) e detalhava a maneira como Pelé já encantava o mundo e despertava a vontade dos torcedores verem ele de perto. E olha que o “Rei” ainda não tinha conquistado sequer o bicampeonato mundial com a Seleção Brasileira.

    REI PELÉ – de Wilson Baptista, Luiz Wanderley e Jorge de Castro

    Mamãe, me leve no Maracanã
    Numa tarde linda de sol
    Quero ver, eu quero ver
    Um rei jogar futebol

    Ô, Rei Pelé
    Vamos tomar café
    Rei Pelé
    Vamos tomar café

    Rei Pelé que brilhou na Suécia
    Rei Pelé fez sucesso no Uruguai
    Rei Pelé mora em Vila Belmiro
    Rei Pelé do Brasil não sai

    Ô, Rei Pelé
    Vamos tomar café
    Rei Pelé
    Vamos tomar café…

    O HOMEM DE TRÊS CORAÇÕES (1962)

    No ano seguinte, um conterrâneo de Pelé decidiu homenageá-lo. Nascido também em Minas Gerais, Noite Ilustrada (pseudônimo dado a Mário de Souza Marques Filho pelo humorista Zé Trindade) também chegou a tentar a sorte como jogador de futebol. Porém, enveredou pelo caminho da música e fez sucesso como cantor, interpretando sambas como “Volta Por Cima”, “Ai, Que Saudades da Amélia” e “Laranja Madura”.

    Em 1962, o artista decidiu homenagear o seu conterrâneo com uma música que traz um “quê” de nostalgia da cidade que ficou para trás.

    O HOMEM DE TRÊS CORAÇÕES – de Noite Ilustrada

    Em uma cidade pequena
    Do meu estado também
    Sereno, calmo, manhoso
    Ordeiro como ninguém

    Nasceu Pelé
    Nasceu Pelé…

    A maravilha negra
    De um mundo novo
    Rei de um grande povo
    Amante do futebol

    Num estádio qualquer
    Todos gritavam de pé
    Vai, Pelé!
    Vai, Pelé!

    Ele, com humildade
    Sombrio e sem vaidade

    Dominava a bola no peito e no pé
    Olhava um companheiro deslocado
    Não dava passe, que não fosse acertado

    Ai a torcida vibrava com seu lançamento
    Sentindo a emoção da partida em cada momento
    Corria os noventa minutos causandlo emoções
    Impondo a arte, que trouxe de Três Corações

    Mas percebendo o momento o gramado deixou
    E a torcida gritando com ele chorou
    Na sua tristeza estava estampada alegria
    Tantos anos de glória, nos gramadas que corria
    O rei agora, está nos braços da família


    MORENGUEIRA CONTRA 007 (1965)

    Compositor da histórica marcha “Pra Frente Brasil” que embalou o tricampeonato mundial da Seleção Brasileira, Miguel Gustavo tinha uma outra faceta para lá de irreverente. Além de autor de jingles, ele escreveu sambas de breque interpretados por Moreira da Silva, como “O Rei do Gatilho”, “O Último dos Moicanos” e “O Rei do Cangaço”. E uma das histórias mirabolantes protagonizadas por Kid Morengueira traz Pelé em apuros às vésperas da Copa do Mundo de 1966 e tem no “elenco” a atriz Claudia Cardinale.

    MORENGUEIRA CONTRA 007 – de Miguel Gustavo

    Moreira da Silva contra 007!
    Sexo e volência no mais espetacular filme de espionagem
    Do famoso diretor americano Abelardo Chacrinha Barbosa
    Com James Bond, Cláudia Cardinale
    E Edson Arantes do Nascimento!

    Começa o filme contra o 007
    Saltando em Santos com a Cláudia Cardinale
    Com seu decote italiano ela é tão bela
    Que ninguém vê o James Bond junto dela

    Os dois se hospedam na concentração do Santos
    E, entre tantos, ninguém sabe por que é
    Que ela desfila de biquíni na piscina
    E na maior intimidade com o Pelé

    A bonitinha não percebe a tabelinha que ele faz
    Pelé controla a Cardinale
    Dá-lhe um beijo
    E avança mais
    Gol do Brasil!
    Temperamento latino é fogo…

    O James Bond
    Nesse instante
    Dá o flagrante
    Diz que Pelé
    Tem que pagar pelo que fez

    Entram em luta corporal e o 07
    Vai abater o jogador
    Com um soco inglês

    Porém, Moreira
    Que assistia a toda a cena
    Entra sem pena
    Vai no 7 e manda o pé

    Rabo-de-arraia eantes que caia
    Dá-lhe um coco
    Apara o soco
    E livra a cara do Pelé

    Moreira leva James Bond para o DOPS
    E na fofoca mais fofoca que eu já vi
    Vem jornalista, embaixador inglês se irrita
    E entra na fita todo o Itamaraty

    Aí, Moreira leva a Cláudia Cardinale
    Para jogar um pif-paf em Guarujá
    Vão ao boliche e comem pizza lá no Brás
    E cantam samba de Vinícius de Moraes

    Cláudia confessa o seu amor por Morengueira
    Faz a besteira de dizer que o ama com fé
    Só foi a Santos com o 007
    Para ajudá-lo a raptar nosso Pelé

    Roubar Pelé pra não jogar contra a Inglaterra
    Porque os ingleses sofrem de alucinação
    E toda noite vem um fantasma de chuteiras
    Fazendo gol no gol da sua seleção

    E vem o time brasileiro se sagrando campeão
    Termina o filme com Moreira dando um drible no espião
    O James é derrotado e acabou sua missão, ão, ão…

    OBRIGADO, PELÉ (1971)

    Um ano depois da conquista do tricampeonato com a Seleção Brasileira, Pelé decidiu se aposentar do escrete canarinho. Miguel Gustavo foi convocado, desta vez, para escrever uma canção de agradecimento para o “Rei”.

    + Família de Pelé pede que homenagens sejam feitas apenas no velório

    Em 1971, foi lançada “Obrigado, Pelé”. A canção inicialmente foi gravada pelo grupo MPB-4. Integrante do grupo, Miltinho contou ao LANCE! como a música chegou ao conjunto vocal (clique aqui e saiba mais). Posteriormente, Wilson Simonal também fez sua leitura.

    OBRIGADO, PELÉ – de Miguel Gustavo

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé

    É a glória
    E sempre humilde, sempre igual
    Negão, tricampeão, ao natural
    Lutou e só de gol fez mais de 1000
    Ficou até na história do Brasil, um mil
    Gol de Pelé!

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé…

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé…

    Você tem o seu clube
    Eu tenho o meu
    Escrete, cada país
    Possui o seu

    Mas quando Pelé balança o marcador
    Em todo mundo vibra o torcedor
    De pé
    Gol de Pelé!

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé

    Galera, a tua fera vai sair
    De pé, com toda fé, toda coragem
    Nos campos de todo mundo a aplaudir
    Meu povo, rei Pelé pede passagem

    Olé
    Gol de Pelé!

    Todo mundo sambando com a bola no pé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé, olé
    Obrigado, Pelé…

    REI PELÉ, REI LUIZ (1971)

    Também no ano de 1971, foi a vez de Jair Rodrigues interpretar uma música em homenagem ao amigo Pelé. O intérprete de “Disparada” e de “Deixa Isso Pra Lá” gravou um baião que fazia uma curiosa tabela. “Rei Pelé, Rei Luiz”, deDurval Vieira e Reginaldo Santos, fazia reverências ao Atleta do Século e a Luiz Gonzaga, rei do baião. Mais tarde, Joci Monteiro deixou seu registro no LP “Fofoca de Artista”.

    REI PELÉ, REI LUIZ – de Durval Vieira e Reginaldo Santos

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    Pelé tem raça e talento
    Luiz tem talento e raça
    ​Pelé põe bola na rede
    Luiz, xaxado na praça

    Pelé, jogando
    Faz gol
    Luiz, cantando
    Faz graça

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    Pelé defende o esporte
    Luiz decanta o sertão
    Pelé veste a chuteira
    E Luiz veste o gibão

    Pelé é o Rei do Futebol
    E Luiz é o Rei do Baião

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    Pelé tem perna de ferro
    Luiz tem peito de aço
    O Pelé controla a bola
    E Luiz controla o baixo
    Pelé é um jovem homem
    E Luiz é um velho macho

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    Ô, ô, ô, rei Pelé e rei Luiz!
    Venham ver
    A comparação que eu fiz…

    O REI PELÉ (1974)

    O “Rei do Ritmo” e um dos nomes fundamentais da história da música brasileira, Jackson do Pandeiro. também incluiu no seu repertório uma homenagem ao eterno camisa 10. Em 1974, o intérprete de “Um a Um” lançou o rojão (estilo musical de ritmo acelerado que narra a história do autor ou de uma pessoa) “O Rei Pelé”. À época, o craque havia saído do Santos. A música é feita por Jackson do Pandeiro e Sebastião Silva.

    O REI PELÉ – de Jackson do Pandeiro e Sebastião Silva

    Quem é aquele moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)
    Eu perguntei quem é o moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)

    A bola lhe deu dinheiro,
    Lhe deu nome, lhe deu fama,
    A bola lhe colocou
    Entre os maiores dos homens

    Quem é o moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)
    Sim, mas quem é aquele moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)

    Ele tem um drible certo
    E tem um tiro certeiro.
    Com ele não tem defesa
    Pra ele não tem goleiro
    É tricampeão do mundo
    É o rei dos artilheiros.

    Quem é o moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)
    Olha, quem é aquele moço com a bola no pé?
    (É o Rei Pelé!)

    TWO NAIRA FIFTY KOBO (1977)

    No mesmo disco no qual lançou músicas como “Odara” e “Gente”, Caetano Veloso fez pela primeira vez em seu cancioneiro uma citação a Pelé. O LP “Bicho”, de 1977, traz uma citação ao “Rei” nos versos da curiosa “Two Naira Fifty Kobo”.

    TWO NAIRA FIFTY KOBO – de Caetano Veloso

    No meu coração da mata gritou Pelé, Pelé
    Faz força com o pé na África
    O certo é ser gente linda
    E dançar, dançar, dançar
    O certo é fazendo música

    A força vem dessa pedra que canta Itapoã
    Fala tupi, fala iorubá
    É lindo vê-lo bailando ele é tão pierrô, pierrô
    Ali no meio da rua, lá

    No meu coração da mata gritou Pelé, Pelé
    Faz força com o pé na África
    O certo é ser gente linda e dançar, dançar, dançar
    O certo é fazendo música

    A força vem dessa pedra que canta Itapoã
    Fala tupi, fala iorubá
    É lindo vê-lo bailando ele é tão pierrô, pierrô
    Ali no meio da rua, lá…

    LOVE, LOVE, LOVE (1978)

    O impacto com a despedida definitiva de Pelé dos gramados rendeu música de Caetano Veloso um ano depois. Uma das faixas do LP “Muito” foi batizada com as palavras mais emocionantes do discurso de adeus do “Rei” no gramado do New York Cosmos: “Love, Love, Love”. O disco ainda traz as canções “Terra”, “Muito Romântico” e “Sampa”.

    LOVE, LOVE, LOVE – de Caetano Veloso

    Eu canto no ritmo, não tenho outro vício
    Se o mundo é um lixo, eu não sou
    Eu sou bonitinho, com muito carinho
    É o que diz minha voz de cantor
    Por nosso Senhor

    Meu amor, te amo
    Pelo mundo inteiro
    Eu chamo

    Essa chama que move
    Pelé disse
    Love, love, love

    Absurdo
    O Brasil pode ser um absurdo
    Até aí, tudo bem, nada mal

    Pode ser um absurdo
    Mas ele não é surdo
    O Brasil tem ouvido musical
    Que não é normal

    Meu amor, te quero
    Pelo mundo inteiro eu espero
    A visão que comove
    Pelé disse
    Love, love, love…

    Na maré da utopia
    Banhar todo dia
    A beleza do corpo convém
    Olha o pulo da jia
    Não tendo utopia
    Não pia a beleza também
    Digo prá ninguém

    Meu amor, desejo
    Pelo mundo inteiro
    Eu vejo
    Que não tem quem prove
    Pelé disse
    Love, love, love

    Na densa floresta feliz prolifera
    A linhagem da fera feroz
    Ciclones de estrelas
    Desenham-se
    Livres e fortes diante de nós
    E eu com minha voz

    Meu amor, preciso
    Pelo mundo inteiro aviso
    Olha o noventa e nove
    Pelé disse
    Love, love, love…

    PIVETE (1978)

    O ano de 1978 expõe a dimensão de Pelé para o futebol brasileiro. Craques da música, Chico Buarque e Francis Hime escreveram a música “Pivete”, na qual o personagem-título tinha como uma de suas referências Pelé (a outra ligada a futebol era Mané Garrincha). Ao regravá-la em 1993 para o disco “Paratodos”, Chico alterou o piloto de Fórmula 1: a menção a Emerson Fittipaldi deu lugar a Ayrton Senna.

    PIVETE – de Chico Buarque e Francis Hime

    No sinal fechado
    Ele vende chiclete
    Capricha na flanela
    E se chama Pelé

    Pinta na janela
    Batalha algum trocado
    Aponta um canivete
    E até

    Dobra a Carioca, olerê
    Desce a Frei Caneca, olará
    Se manda pra Tijuca
    Sobe o Borel

    Meio se maloca
    Agita numa boca
    Descola uma mutuca
    E um papel

    Sonha aquela mina, olerê
    Prancha, parafina, olará
    Dorme gente fina
    Acorda pinel

    Zanza na sarjeta
    Fatura uma besteira
    E tem as pernas tortas
    E se chama Mané

    Arromba uma porta
    Faz ligação direta
    Engata uma primeira
    E até

    Dobra a Carioca, olerê
    Desce a Frei Caneca, olará
    Se manda pra Tijuca
    Na contramão

    Dança para-lama
    Já era para-choque
    Agora ele se chama
    Emersão

    Sobe no passeio, olerê
    Pega no Recreio, olará
    Não se liga em freio
    Nem direção

    No sinal fechado
    Ele transa chiclete
    E se chama pivete
    E pinta na janela

    Capricha na flanela
    Descola uma bereta
    Batalha na sarjeta
    E tem as pernas tortas…

    E POR FALAR NO REI PELÉ?! (1978)

    Também em 1978, o Atleta do Século apareceu de outra maneira na música brasileira. No LP “Recado”, Gonzaguinha o mencionou no título da música “E Por Falar no Rei Pelé?!”. A letra traz referências futebolísticas para saudar a luta do povo em sua dia a dia. Luiz Gonzaga Júnior ainda tem em seu disco a música “O Que Foi Feito Devera”.

    E POR FALAR NO REI PELÉ?! – de Gonzaguinha

    Craque mesmo é o povo brasileiro
    Corre em campo
    Se esforça o tempo inteiro
    Vira pra ponta
    E centra e cabeceia

    E ele mesmo é o goleiro que escanteia
    E o gandula que apanha no fosso a pelota
    E a galera que a equipe incendeia

    Craque mesmo é o povo brasileiro
    carregando esse time de terceira divisão
    nesse jogo sem gol, mas que emoção,
    couro cru também é um mata fome!

    Sempre um bamba se esquece
    E a bola come
    Sempre um morre
    É fatal a indigestão

    Craque mesmo é o povo brasileiro
    Com os homens em cima na marcação
    Transformando a partida em pedreira
    Uma rinha sem gol, mas que emoção

    Na redonda ele se atira qual leão
    Tá pensando
    Que é um prato cheio de feijão
    E não é não!

    TEMPO BOM, FAZ TEMPO (1980)

    A Mussum não bastou contracenar com Pelé em “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”. Também músico e ex-integrante dos Originais do Samba, ele lançou um disco solo que incluía a faixa “Tempo Bom (Faz Tempo)”, na qual trazia uma nostalgia do tempo no qual o craque era o camisa 10 canarinho. A música é de Bidi.

    TEMPO BOM (FAZ TEMPO) – de Bidi

    Meu cumpadi
    A malandragem tá nisso
    O dia que todos os tristes quiserem ir juntos
    Toda tristeza vai se acabar

    Quem espera tempo bom, é sertanejo
    Tem tanta coisa que eu gosto
    Mas faz tempo que não vejo

    Gasolina no carrão, faz tempo
    Um chuchu com camarão, faz tempo
    Fogareiro à carvão, faz tempo
    Uma nota de um barão, faz tempo

    É, faz tempo que o tempo
    Não dá um tempo

    Carne seca com feijão, faz tempo
    Um Pelé para seleção, faz tempo
    Chuva boa no sertão, faz tempo
    Um abraço no João, faz tempo

    É, faz tempo que o tempo
    Não dá um tempo

    O meu time campeão, faz tempo
    Um amor no coração, faz tempo
    Solução pra “inflaçãozis” , faz tempo
    Para os índios proteção, faz tempo

    É, faz tempo que o tempo
    Não dá um tempo
    É, faz tempo que o tempo
    Não dá um tempo

    Um ricaço na prisão
    Minha luz de lampião
    E o dinheiro do povão
    Minha casa à prestação

    O FUTEBOL (1989)

    Em seu LP de 1989, Chico Buarque dissertou sobre a essência do futebol brasileiro. E ela passa pelos pés de Pelé. Em “O Futebol”, o início traz o momento de humildade, mas a canção termina com uma linha de passe que reúne o “Rei” com ídolos do quilate de Mané, Didi, Pagão e Canhoteiro. O disco ainda traz as faixas “Morro Dois Irmãos”, “Tanta Saudade”, “Baticum” e “Valsa Brasileira”.

    O FUTEBOL – de Chico Buarque

    Para estufar esse filó
    Como eu sonhei

    Se eu fosse o Rei

    Para tirar efeito igual ao jogador
    Qual compositor
    Para aplicar uma firula exata, que pintor
    Para emplacar em que pinacoteca, nêga

    Pintura mais fundamental
    Que um chute a gol
    Com precisão
    De flecha e folha seca

    Parafusar algum João
    Na lateral
    Não
    Quando é fatal

    Para avisar a finta enfim
    Quando não é
    Sim
    No contrapé

    Para avançar na vaga geometria
    O corredor
    Na paralela do impossível
    Minha nêga

    No sentimento diagonal
    Do homem-gol
    Rasgando o chão
    E costurando a linha

    Parábola do homem comum
    Roçando o céu
    Um senhor chapéu
    Para delírio das gerais no coliseu
    Mas que rei sou eu

    Para anular a natural catimba do cantor
    Paralisando esta canção capenga, nêga
    Para captar o visual
    De um chute a gol

    E a emoção
    Da ideia quando ginga, a-ia-ia
    Para Mané
    Para Didi, para Mané

    Quando é para Didi, para Mané
    Para Didi, para Pagão
    Para Pelé e Canhoteiro

    O NOME DO REI É PELÉ (2004)

    Responsável por uma sucessão de canções sobre futebol (“Goleiro”, “Zagueiro”, “Umbabaraumba, Ponta de Lança Africano”, “Camisa 10 da Gávea”, “Fio Maravilha” e “Cadê o Pênalti?”), Jorge Benjor estendeu sua lista ao Atleta do Século. Em 2004, o cantor gravou “O Nome do Rei É Pelé”, na qual se empenhou em contar toda a história do camisa 10 em faixa do álbum “Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum)”. O disco traz as faixas “Mexe Mexe”, “Tupinambás” e “O Rei e a Rosa Cruz”.

    O NOME DO REI É PELÉ – de Jorge Benjor

    Dondinho e Celeste idealizaram
    E fizeram o rei chamado Pelé
    O nome do rei é Pelé
    O nome do rei é Pelé

    Pelé de todos os tempos
    Incomparável Pelé, Pelé
    Pelé da arte e da magia
    Com a bola nos pés, Pelé

    Menino de três corações, Bauru, Vila Belmiro
    Seguindo o seu futuro e seu destino
    Com 21 anos de carreira
    Veio, viu e venceu

    Jogou 1375 partidas
    Fazendo a rede balançar constantemente
    Por dez anos seguidos
    Foi o artilheiro do campeonato paulista

    Participou de 50 campeonatos no Brasil e no exterior
    Com a realeza de fazer 1281 gols lindos
    De cabeça, de virada, de balãozinho, de bate pronto
    De bicicleta, de carrinho, de letra
    De peito, de peixinho, de falta, de pênalti e nos incríveis gols de placa
    E no bendito milésimo gol

    Viva, viva o Atleta do Século
    Salve a mágica
    A mágica da mágica camisa 10 de Pelé

    O nome do Rei é Pelé, o nome do Rei é Pelé
    Pelé de todos os tempos
    Incomparável Pelé, Pelé

    Pelé da arte e da magia
    Com a bola nos pés, Pelé
    O nome do Rei Pelé, o nome do Rei Pelé…

    LINHAS DE PRAZER (2010)

    No álbum “Contra-Ataque – Samba e Futebol”, Carlinhos Vergueiro colocou em campo Pelé em uma lembrança que encheu muitos corações. A faixa “Linhas de Prazer”, que recorda ataques de diversas épocas, traz o camisa 10 nas consagradíssimas linhas ofensivas do Santos e da Seleção Brasileira. Além de sambas como “Torresmo À Milanesa” e “Monalisa”, o cantor dedica canções a outros craques, nas músicas “Zico”, “Romário” e “Raí”,

    LINHAS DE PRAZER – de Carlinhos Vergueiro

    Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
    Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalllo
    Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro
    Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivellino

    Linhas de prazer
    Linhas de poesia
    Linhas plenas de magia

    Minhas ilusões
    Minhas vibrações
    Minhas recordações

    PELÉ (2018)

    Em 2018, o “Rei” voltou a dar música. Os irmãosPaulo Tatit e Zé Tatit escreveram “Pelé” e a destinaram para o projeto infantil Palavra Cantada, que temPaulo e Sandra Peres. Com isso, as crianças puderam conhecer um pouco mais da história do principal jogador do futebol brasileiro.

    PELÉ – de Paulo e Zé Tatit

    Você aí que diz que sabe tudo de bola
    Que é craque até em jogo de botão
    O que eu vou te contar
    Não se aprende na escola
    São coisas de uma outra dimensão

    Aconteceu no tempo em que seu pai
    Ainda era um garotão
    E o futebol passava só no rádio
    Nem tinha televisão

    Era um moleque negro
    Que brilhava nos campos
    Tão pobres lá de Três Corações
    Foi contratado pra jogar no time dos Santos
    E convocado pra Seleção

    Com 17 anos era um craque
    Como nunca ninguém viu
    E o mundo inteiro descobriu o Brasil

    Ele é, ele é, ele é
    O nosso rei da bola, o rei Pelé
    Ele é, ele é, ele é
    O rei de toda a Terra

    Que conquistou a coroa
    Pelo toque de seu pé
    Quando ele entrava no campo
    O outro time tremia

    Só de ver o rei se aquecer
    Por que nesse momento
    Todo mundo sabia
    Que com ele era pra valer

    Tinha goleiro que até rezava
    Para ele não se aproximar
    Tinha zagueiro mau que quando entrava
    Era pra machucar

    Nenhum grandão inglês
    Nem cabra pernambucano
    Ninguém intimidou nosso rei
    E ainda mais se o cara fosse corintiano

    Aí ele entortava de vez
    Se ele decidia ir sozinho
    Não dava pra segurar
    Mas era generoso e dava a bola
    Pr’um companheiro marcar

    Ele é, ele é, ele é
    O nosso rei da bola, o rei Pelé
    Ele é, ele é, ele é

    O rei de toda a Terra
    Que conquistou a coroa
    Pelo toque de seu pé

    Como é que uma canção pode contar a magia
    De cada toque que ele inventou
    Num monte de palavras e numa só melodia
    Num dá pra descrever nem um gol

    E olhe agora o que eu vou te dizer
    Você não vai acreditar
    Porque ele marcou mil e tantos gols
    E foram todos de arrasar

    E pra comemorar ele saia correndo
    Com todo time dele atrás
    No auge da alegria ele vibrava pulando
    No alto dava um soco no ar

    Um soco da glória da vitória
    De quem sabia ganhar
    E pra ganhar tem que saber perder
    Para poder se superar

    Ele é, ele é, ele é
    O nosso rei da bola, o rei Pelé
    Ele é, ele é, ele é

    O rei de toda a Terra
    Que conquistou a coroa
    Pelo toque de seu pé…

    O HOMEM DOS TRÊS CORAÇÕES (2020)

    A voz de Alcione entoou a mais recente homenagem em letra e música para Pelé. Lançada em 2020, “O Homem dos Três Corações” traça paralelos entre música, balé e futebol para contar a consagração do “Rei”. A faixa foi lançada pela “Marrom” (que já é consagrada por músicas como “Sufoco”, “Meu Ébano” e “Gostoso Veneno”) em “Tijolo Por Tijolo”.

    Um dos autores da canção, Altay Veloso contou ao LANCE! o que o inspirou a compor esta música ao lado de Paulo César Feital (autor de “Saigon”).

    – A gente é muito ligado ao futebol. Assim como já houve homenagens a atletas anteriormente, achamos justo que Pelé recebesse esta reverência, principalmente por meio da voz da Alcione – e acrescentou:

    – Também quis homenagear outros jogadores. Fui muito amigo do Zizinho, que era ídolo do Pelé, e achei justo citá-lo, por isso falei com o Feital.

    Altay, que fez sucesso com “Encontro Marcado” e “Entra E Sai De Amor” e teve suas músicas gravadas por Leny Andrade, Zizi Possi, Elba Ramalho, Nana Caymmi, Emílio Santiago e Roberto Carlos, destacou a magnitude de Pelé.

    – Trata-se de um atleta que encanta o planeta. É uma entidade, uma divindade espiritual. Não há ninguém que se assemelhe a ele. As lembranças dele na Copa de 1970 são muito emblemáticas para mim e para todos os que acompanharam – afirmou.

    O HOMEM DOS TRÊS CORAÇÕES – de Altay Veloso e Paulo César Feital

    É, já quase findando o tempo regulamentar
    Respirando fundo, enchendo o peito de ar
    Trincando os dentes, partiu com a bola em viés
    Um drible da vaca, na dor da ilusão no revés

    Os deuses ao verem Arantes improvisar
    Assim como fazem artistas de jazz
    Que rompem as regras
    Que nem Holiday no piano bar

    Perguntaram quem é esse homem
    De Três Corações a dançar
    Barishnikov com duas chuteiras nos pés

    A arquibancada gritou é um astro tupiniquim
    Da constelação de Zizinho, Niemeyer e Jobim
    Estrela que nem Luiz Gonzaga
    Que nem Pixinguinha
    E que nem Portinari, que nem Radamés

    Dando um lençol no zagueiro
    Menino sem pestanejar
    Partiu com a bola no peito e parou no ar
    E a nega formosa e ardente
    Desceu pelo corpo do seu grande amor

    Depois de assanhada e dengosa
    Beijar seus pés
    Então saciada
    No fundo da rede adormeceu
    De gozo e fé
    A sonhar com Deus Pelé

    Não faltaram maneiras de contar a história de Pelé também na safra musical brasileira.

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